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Fifa propõe vender 20% de torneios a investidores; Uefa ameaça boicote e crise se aprofunda

Gianni Infantino quer criar a Fifa Forward Enterprise, vender ações por US$ 4,2 bilhões e aumentar repasses às federações. Uefa e Concacaf rejeitam a ideia. CBF terá voto decisivo no Congresso.

Notícias Publicado 31 julho 2026 4 min de leitura Mariana Alves
Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante anúncio de proposta de criação da Fifa Forward Enterprise
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O presidente da Fifa, Gianni Infantino, colocou a entidade em rota de colisão com a Uefa ao propor a criação de uma empresa privada para administrar seus torneios e vender 20% das ações a investidores. O projeto, batizado de Fifa Forward Enterprise (FFE), prevê um aporte de US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21 bilhões) em troca de participação nos lucros de competições como a Copa do Mundo. A Uefa reagiu ameaçando boicotar todas as competições da Fifa, e a Concacaf também rejeitou a proposta. A votação ocorrerá no Congresso da Fifa, com as 211 federações nacionais, incluindo a CBF, decidindo o futuro do futebol internacional.

Pontos principais

Elemento Detalhe
Proposta Fifa Forward Enterprise (FFE) – empresa subsidiária para operar torneios; venda de 20% das ações a investidores
Valor US$ 4,2 bilhões (R$ 21 bilhões) – repasse por federação subiria de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões
Oposição Uefa ameaça boicote imediato; Concacaf rejeita por histórico de corrupção
Votação 211 federações nacionais – maioria composta por países da Ásia, África e Américas, que dependem dos repasses

O projeto e a relação com Trump

A ideia da FFE ganhou força após o ciclo da Copa de 2026, que arrecadou US$ 15 bilhões (R$ 76 bilhões) – o dobro do ciclo anterior. A Fifa sabe que repetir esse faturamento no ciclo pré-2030, com sede em Marrocos, Portugal e Espanha, será difícil. Para manter o ritmo de receitas, Infantino busca atrair capital privado.

A aproximação com Donald Trump é peça central. O presidente americano recebeu um prêmio da paz das mãos de Infantino em dezembro de 2025, durante o sorteio dos grupos do Mundial. Em julho de 2026, Infantino participou de evento na Trump Tower e chamou a Copa de 2026 de “o maior evento social e cultural da história da humanidade”. O fundo responsável por distribuir as ações da FFE, Thrive Eternal, pertence a Joshua Kushner, irmão do genro de Trump. A relação levanta questionamentos sobre conflitos de interesse, embora a Fifa negue influência externa.

A guerra com a Uefa

A Uefa não apenas rejeitou o projeto como anunciou boicote a todos os torneios da Fifa enquanto a FFE não for cancelada. O boicote pode começar já em outubro de 2026, com partidas das eliminatórias da Copa do Mundo feminina de 2027, que será sediada no Brasil. Sem as seleções europeias, a competição perde valor comercial e esportivo.

O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, argumenta que a Copa do Mundo não pode ser tratada como ativo de investimento. A Concacaf, por sua vez, emitiu comunicado lembrando os escândalos de corrupção que marcaram a Fifa no passado: “A história mostrou à Fifa o que acontece quando os responsáveis pelo esporte perdem de vista esses valores”.

O jogo político e o voto da CBF

Das 211 federações, apenas 65 representam América do Sul e Europa, os principais centros do futebol. A maioria dos votantes são países pequenos que dependem dos repasses da Fifa para financiar centros de treinamento, cursos e projetos de base. Infantino prometeu elevar o repasse de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões por ciclo, um argumento forte para essas federações.

A CBF, como uma das federações mais influentes, terá peso na decisão. O Brasil é sede da próxima Copa do Mundo feminina e tem interesse na estabilidade das competições. No entanto, a CBF ainda não se manifestou publicamente sobre o projeto. A expectativa é que o governo brasileiro e a confederação avaliem o impacto do boicote europeu antes de definir o voto.

Riscos e incertezas

A história da Fifa é marcada por escândalos de corrupção, sobretudo no mandato de Joseph Blatter. Em 2019, ao ser reeleito, Infantino afirmou que a entidade deixou de ser “tóxica e quase criminosa”. No entanto, colocar bilhões de dólares nas mãos de federações com pouca supervisão levanta preocupações. A Concacaf, em sua rejeição, citou justamente o risco de repetir erros do passado.

Além disso, o projeto pode ser inviabilizado sem o apoio europeu. Infantino sabe que não existe Copa do Mundo de alto nível sem as seleções da Uefa, que venceram cinco das últimas seis edições. A votação, portanto, vai além de números: é um teste de força política entre Infantino e os europeus, com o Brasil e as demais federações no centro da decisão.

Fonte: ge – Globo Esporte (https://ge.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/2026/07/31/jogo-politico-dinheiro-e-guerra-a-uefa-os-interesses-de-infantino-na-ideia-de-vender-acoes-da-fifa.ghtml)

Fonte

ge - Globo Esporte Publicação original: 2026-07-31T07:00:54+00:00