Punições por faltas graves no futebol: de Neymar a Victor Gabriel, um histórico de decisões inconsistentes
O caso de Victor Gabriel, do Internacional, que lesionou Gabriel Pec no joelho, reacende o debate sobre a severidade das punições. Veja como a justiça desportiva tratou outras entradas violentas no Brasil e no mundo.


A entrada do zagueiro Victor Gabriel, do Internacional, em Gabriel Pec, do Cruzeiro, na 20ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2026, provocou uma lesão grave no atacante e gerou repercussão mundial. A punição aplicada ao defensor — quatro jogos de suspensão mais o tempo de recuperação da vítima — reabriu o debate sobre a proporcionalidade e a consistência das sanções em casos de faltas violentas. O histórico do futebol brasileiro e internacional mostra que decisões semelhantes podem ter desfechos muito diferentes, dependendo do tribunal, do momento e dos recursos apresentados.
Pontos principais
| Caso | Ano | Punição aplicada | Observação |
|---|---|---|---|
| Bolívar x Dodô | 2011 | 4 jogos + tempo de recuperação (inicial) | Após recurso, pena reduzida a 4 jogos |
| Neymar x Zuniga | 2014 | Nenhuma punição | FIFA rejeitou pedido da CBF |
| Roy Keane x Alf-Inge Haaland | 2001 | 5 jogos e £150 mil | Punição aplicada pela FA inglesa |
| Marcelo x Luciano Sánchez | 2023 | 3 jogos | Suspensão da Conmebol; Sánchez ficou 2 anos parado |
| Fagner x Ederson | 2016 | 1 jogo (inicial), absolvido após recurso | Ederson fora 9 meses; parou de jogar em 2020 |
| Tevez x Ezequiel Ham | 2015 | Nenhuma punição | Tribunal da AFA decidiu não punir |
Caso recente: a punição de Victor Gabriel e o precedente de Bolívar
A decisão contra Victor Gabriel seguiu o mesmo modelo aplicado ao zagueiro Bolívar em 2011. Na ocasião, atuando pelo Internacional, Bolívar acertou o lateral Dodô, do Bahia, que teve rompimento total dos ligamentos cruzados do joelho esquerdo. O STJD puniu Bolívar inicialmente com quatro jogos de suspensão mais o período de recuperação de Dodô. Após recursos, quando já defendia o Botafogo, a pena foi reduzida para quatro jogos — sem o acréscimo do tempo de recuperação. O caso de Victor Gabriel, portanto, não é inédito, mas reacende a discussão sobre o critério adotado pelos tribunais.
Joelhada em Neymar e a inação da FIFA
Na Copa do Mundo de 2014, o atacante Neymar sofreu uma fratura na terceira vértebra lombar após uma joelhada do colombiano Juan Camilo Zuniga. A CBF pediu a punição do zagueiro ao Comitê Disciplinar da FIFA, mas o pedido foi negado. Zuniga não recebeu qualquer sanção complementar, e o caso tornou-se um dos mais emblemáticos da falta de critério em torneios internacionais.
Keane e o pai de Haaland: uma vingança adiada
O caso mais famoso de retaliação no futebol mundial envolveu Roy Keane e Alf-Inge Haaland, pai do atacante Erling Haaland. Em 1997, Keane rompeu o ligamento cruzado em uma partida contra o Leeds. Enquanto estava caído, Haaland o acusou de simular. Quatro anos depois, em 2001, no clássico entre Manchester United e Manchester City, Keane acertou uma entrada violenta em Haaland, foi expulso e depois punido pela Federação Inglesa com cinco jogos de suspensão e multa de 150 mil libras.
Marcelo, Fagner e Tevez: três desfechos distintos
Na Conmebol Libertadores de 2023, Marcelo, então no Fluminense, atingiu Luciano Sánchez, do Argentinos Juniors, em uma jogada que provocou entorse no joelho esquerdo do argentino. Sánchez ficou dois anos sem jogar. A Conmebol suspendeu Marcelo por três jogos. Já o lateral Fagner, do Corinthians, deu um carrinho por trás em Ederson, do Flamengo, em 2016. Ederson ficou nove meses fora e encerrou a carreira em 2020. Fagner recebeu um jogo de suspensão inicial, mas foi absolvido pelo Pleno do STJD após recurso. Em 2015, Carlos Tevez, na volta ao Boca Juniors, fraturou a perna de Ezequiel Ham, do Argentinos Juniors. O Tribunal de Disciplina da AFA optou por não puni-lo.
O que a sequência de casos revela
A comparação entre esses episódios mostra que não há um padrão claro de dosimetria nas punições por faltas graves. A gravidade da lesão, a repercussão midiática, a atuação dos recursos e a jurisdição de cada tribunal influenciam o resultado final. Para o torcedor brasileiro, o caso de Victor Gabriel serve como mais um capítulo de uma longa história de decisões que ora são vistas como rigorosas, ora como lenientes. A ausência de um critério objetivo mantém a sensação de injustiça, especialmente quando a vítima sofre consequências que podem encerrar uma carreira.
Fonte: ge – Globo Esporte. “De Neymar ao pai de Halland: veja lesões por faltas graves e punições aplicadas”. https://ge.globo.com/mg/futebol/noticia/2026/07/30/de-neymar-ao-pai-de-halland-veja-lesoes-por-faltas-graves-e-punicoes-aplicadas.ghtml
Fonte
ge - Globo Esporte Publicação original: 2026-07-30T07:01:19+00:00
Rafael Costa
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