Mirassol quebra jejum de quase 40 anos e leva o interior paulista de volta ao mata-mata da Libertadores
Vitória sobre o Always Ready garante classificação antecipada e marca feito histórico para o futebol fora das capitais paulistas.


O Mirassol escreveu um capítulo memorável na história do futebol brasileiro ao garantir sua classificação antecipada para as oitavas de final da Conmebol Libertadores. Com a vitória por 2 a 1 sobre o Always Ready, na noite de terça-feira, em Assunção, no Paraguai, o clube do interior paulista não apenas avançou na competição continental, mas também quebrou um jejum de quase 40 anos para equipes de fora das capitais de São Paulo na fase de mata-mata.
Até o momento, o "Leão" ostenta uma campanha impressionante na fase de grupos, com quatro vitórias e apenas uma derrota, liderando o Grupo G e assegurando sua vaga com uma rodada de antecedência. Este feito é especialmente significativo, pois representa a primeira vez desde 1988 que um time do interior de São Paulo – uma região que abriga mais de 20 milhões de pessoas – consegue superar a fase de grupos da principal competição sul-americana de clubes.
Por que importa
A última vez que o interior paulista esteve representado em oitavas de final foi com o Guarani, em 1988. Naquele ano, a Libertadores contou com 21 equipes, e o Bugre, ao lado do Sport Recife, representou o Brasil. O time de Campinas, comandado pelo técnico Carbone e com craques como Neto, Paulo Isidoro, Boiadeiro, Careca e Evair, somou três vitórias, dois empates e uma derrota em sua chave, classificando-se em primeiro lugar para enfrentar o San Lorenzo nas oitavas. Apesar de ter empatado na Argentina, o Guarani acabou eliminado após uma derrota em Campinas, encerrando sua participação na Libertadores de 1988, ano em que também foi vice-campeão paulista e quarto colocado no Campeonato Brasileiro.
A história do Guarani na Libertadores remonta a 1979, quando o clube obteve a melhor campanha de um time do interior paulista na competição, alcançando o quarto lugar. Sob o comando de Carlos Alberto Silva, e com o mesmo elenco que havia sido campeão brasileiro no ano anterior – incluindo nomes como Careca, Zenon e Bozó –, o Bugre avançou para a segunda fase (equivalente à semifinal) com uma campanha avassaladora, que incluiu vitórias expressivas como um 4 a 1 sobre o Palmeiras no Morumbi e um 6 a 1 sobre o Universitario. Na fase seguinte, o time paulista ficou em segundo lugar em um grupo com Olimpia e Palestino, sendo eliminado com três empates e uma derrota.
Contexto
Outros clubes do interior paulista já tentaram replicar o feito de chegar ao mata-mata da Libertadores. Além do próprio Guarani em 1987, o Paulista de Jundiaí (2006) e o Red Bull Bragantino (2022 e 2024) também representaram a região na competição, mas sem sucesso em avançar para a fase eliminatória. O Paulista, campeão da Copa do Brasil de 2005, somou uma vitória, três empates e duas derrotas em 2006, terminando na lanterna de seu grupo, apesar de uma vitória histórica sobre o River Plate por 2 a 1 em Jundiaí. O Red Bull Bragantino, por sua vez, participou em 2022 e 2024. Em 2022, caiu na fase de grupos com uma vitória, dois empates e três derrotas. Em 2024, após superar a fase preliminar, foi eliminado pelo Botafogo e não alcançou a fase de grupos.
A façanha do Mirassol ganha ainda mais contornos históricos quando analisamos a trajetória de outros clubes sediados fora das capitais brasileiras na Libertadores. Além do Santos, com suas múltiplas participações e títulos, equipes como São Caetano, Chapecoense, Santo André, Criciúma e Juventude também tiveram passagens pela competição. O Criciúma, campeão da Copa do Brasil de 1991, chegou às quartas de final em 1992. O Juventude, campeão da Copa do Brasil de 1999, ficou em terceiro lugar em seu grupo em 2000. O São Caetano foi vice-campeão em 2002, perdendo para o Olimpia na final. O Santo André, campeão da Copa do Brasil de 2004, chegou perto das oitavas em 2005. Já a Chapecoense disputou a Libertadores em 2017 e 2018, marcada pela tragédia aérea que vitimou sua delegação em 2016.
A classificação do Mirassol para as oitavas de final da Libertadores é um marco para o futebol do interior de São Paulo e para o esporte brasileiro como um todo. Demonstra a força e a competitividade dos clubes que, mesmo com orçamentos e estruturas por vezes inferiores aos grandes centros, conseguem alçar voos históricos em competições de nível internacional. Este feito inspira outras equipes e reforça a ideia de que o futebol é cada vez mais democrático e imprevisível.
Datos clave
Mirassol na Libertadores 2026
Vitórias na fase de grupos: 4
Derrotas na fase de grupos: 1
Posição no Grupo G: 1º (classificado antecipadamente)
Último time do interior paulista no mata-mata: Guarani (1988)
Fuente: ge – Globo Esporte – https://ge.globo.com/sp/tem-esporte/futebol/times/mirassol/noticia/2026/05/22/mirassol-coloca-o-interior-de-sp-de-volta-ao-mata-mata-da-libertadores-apos-quase-40-anos.ghtml
Datos clave
- Fuente: ge – Globo Esporte
- Fecha: 2026-05-22T13:00:45+00:00
- Tema: Mirassol coloca o interior de SP de volta ao mata-mata da Libertadores após quase 40 anos
Fonte
ge - Globo Esporte Publicação original: 2026-05-22T13:00:45+00:00
Rafael Costa
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