Márcia Tafarel vê Seleção feminina como candidata à final da Copa do Mundo de 2027 e aponta desafios
Ex-meia da Seleção nas Copas de 1991 e 1995, Márcia Tafarel disse no videocast do ge que o time de Arthur Elias tem potencial para chegar à final do Mundial no Brasil e citou o que ainda falta ao futebol feminino.


A ex-meia da Seleção Brasileira Márcia Tafarel, que disputou as Copas do Mundo de 1991 e 1995, afirmou que o futebol feminino do Brasil “tem maior potencial de ser bem sucedido na Copa do que o masculino”. Em participação no segundo episódio do videocast do ge RS, ela avaliou a equipe comandada por Arthur Elias como candidata a chegar à final do Mundial de 2027, que será disputado no Brasil, e listou os principais desafios para a modalidade continuar evoluindo.
Pontos principais
| Ponto | Detalhe |
|---|---|
| Contexto | Brasil disputou todas as edições anteriores da Copa do Mundo Feminina e segue atrás do título inédito. |
| Otimismo | Márcia Tafarel vê a Seleção como candidata à final, apoiada em prata olímpica, Fifa Series e 7ª posição no ranking da Fifa. |
| Desafios | Ex-jogadora aponta base, estrutura nos clubes e preparação mental como frentes a desenvolver. |
| Copa 2027 | Mundial será entre 24 de junho e 25 de julho, em oito cidades-sede, incluindo Porto Alegre. |
Seleção em curva de crescimento
Márcia Tafarel construiu a avaliação positiva a partir dos resultados recentes. A Seleção Feminina conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Paris e, em abril, venceu o Fifa Series, torneio amistoso realizado de forma inédita no Brasil. Os desempenhos colocaram o país na sétima colocação do ranking geral da Fifa e reforçaram o clima de confiança para o Mundial.
O Brasil participou de todas as nove edições anteriores da Copa do Mundo Feminina e tem como melhor resultado o vice-campeonato de 2007. Sob o comando de Arthur Elias, a equipe busca o primeiro título, agora com o torneio em casa. Para a ex-meia, o contexto atual favorece a Seleção.
“Estamos com uma Seleção forte, candidata a chegar na final. E a Copa sendo no Brasil, com o 12º jogador que é a torcida, fará uma grande diferença.”
A comparação com a Seleção Masculina também apareceu na entrevista: o time masculino foi eliminado nas oitavas de final do Mundial de 2026, enquanto o feminino tem apresentado crescimento consistente, na avaliação de Márcia.
Desafios apontados pela ex-jogadora
Apesar do otimismo, Márcia Tafarel foi clara ao dizer que o caminho ainda é longo. Em sua análise, os clubes brasileiros precisam tratar o futebol feminino como diferencial, e não apenas como obrigação. Ela também citou a necessidade de estruturas e serviços pensados para a performance da mulher e o fortalecimento do trabalho de base, que considera uma das maiores carências.
“Mesmo fora do país, vejo o Brasil querendo crescer e para manter essa evolução, precisamos de um ecossistema que funcione, do município ao governo federal, CBF e Fifa. Ex-jogadoras dos Estados Unidos comentam: como o Brasil ainda não conseguiu um título?! Elas sabem que um dia vamos chegar lá, pois estamos beliscando”, revelou.
A fala reforça um ponto central para o futebol feminino nacional: os bons resultados recentes não vieram acompanhados de uma estrutura completa em todas as camadas do esporte. Sem base forte e sem suporte adequado nos clubes, o risco de depender somente de atletas que se desenvolvem no exterior aumenta.
Preparação mental e fator Estados Unidos
Márcia Tafarel mora há 22 anos nos Estados Unidos, onde trabalha como treinadora de futsal. A vivência no país com quatro títulos mundiais femininos a ajudou a identificar uma diferença importante entre as seleções.
“O diferencial de beliscarmos e não conseguirmos o título é a parte mental. No caso das jogadoras estadunidenses, elas começam a competir com 7, 8 anos, a preparação mental vem desde cedo. É com essa mentalidade que precisamos preparar as nossas meninas, para não sentirem a pressão ao chegar em uma Seleção sênior. Estamos evoluindo, chegaremos lá.”
A declaração conecta o desempenho em campo à formação das atletas desde a infância. Não se trata apenas de talento técnico, mas de criar um ambiente competitivo que ensine a lidar com a pressão antes da chegada à equipe principal.
Copa no Brasil como divisor de águas
Para quem ajudou a tirar o futebol feminino do anonimato, ver o Brasil sediar a Copa do Mundo é a realização de um sonho. Márcia Tafarel participou da primeira edição do torneio, em 1991, e também esteve no Mundial de 1995 e na estreia do futebol feminino nos Jogos Olímpicos, em 1996. Gaúcha de Bento Gonçalves, ela é parente em terceiro grau do goleiro Cláudio Taffarel.
A ex-jogadora avalia que a competição pode consolidar um processo de visibilidade que começou a se fortalecer depois do vice-campeonato de 2007.
“Ainda temos muito a melhorar, mas o processo do futebol feminino não vai mais regredir e esperamos que a Copa seja esse divisor de águas. Espero que o público respeite o futebol feminino como o futebol de mulheres, e pare de comparar.”
A Copa do Mundo Feminina de 2027 será realizada de 24 de junho a 25 de julho, em oito cidades-sede, entre elas Porto Alegre, com o estádio Beira-Rio. Além do Brasil, outras 13 seleções já garantiram vaga no torneio.
Por que isso importa para o futebol brasileiro
A declaração de Márcia Tafarel ganha relevância porque coloca a Seleção Feminina em um nível de expectativa concreto antes de um Mundial disputado em casa. A torcida brasileira poderá acompanhar a campanha com referências claras de desempenho: o time chega embalado pela prata olímpica, pela conquista do Fifa Series e por uma geração que já disputa as principais competições do mundo.
Ao mesmo tempo, o alerta sobre base, clubes e preparação mental mostra que o sucesso em 2027 não depende apenas do trabalho da comissão técnica. A Copa pode servir como vitrine, mas a evolução estrutural do futebol feminino brasileiro é o que sustentará o crescimento depois do torneio.
Fonte: ge – Globo Esporte, com informações do videocast ge RS. Disponível em: https://ge.globo.com/rs/copa-do-mundo/noticia/2026/07/31/marcia-tafarel-avalia-selecao-como-candidata-a-finalista-da-copa-do-mundo-de-2027-e-elenca-desafios.ghtml
Fonte
ge - Globo Esporte Publicação original: 2026-07-31T20:18:40+00:00
Rafael Costa
Acompanha clubes, CBF, tabela, calendário e bastidores do futebol nacional.
