Cléber Xavier assume desafio de levar Venezuela à Copa de 2030 e critica ciclo do Brasil
Ex-auxiliar de Tite na seleção brasileira, Cléber Xavier agora busca classificação inédita da Venezuela para a Copa do Mundo e avalia que o Brasil pagou por falta de continuidade no ciclo de 2026.


A menos de um mês do fim da Copa do Mundo de 2026, o técnico Cléber Xavier já traçou o próximo grande objetivo: levar a Venezuela a uma Copa do Mundo pela primeira vez na história. Ex-auxiliar de Tite na seleção brasileira e com passagem pelo Santos em 2025, Xavier aceitou o convite da Federação Venezuelana de Futebol (FVF) e voltou ao posto de auxiliar, agora sob o comando do técnico Oswaldo Vizcarrondo. Em entrevista ao ge, ele avaliou o desafio e fez duras críticas ao ciclo do Brasil na última Copa.
Pontos principais
| Ponto | Detalhe |
|---|---|
| Missão | Classificar a Venezuela para a Copa do Mundo de 2030, feito inédito |
| Crítica ao Brasil | Ciclo ruim, falta de continuidade e integração entre base e seleção |
| Comissão técnica venezuelana | Vizcarrondo (técnico), Xavier (auxiliar), Mario Marín e Óscar Ortega |
| Contexto | Terremotos na Venezuela em junho afetaram retorno aos trabalhos; Xavier já mora em Caracas |
O desafio venezuelano
Cléber Xavier começou a trabalhar na Venezuela em janeiro de 2026, mas só agora pôde se dedicar integralmente ao projeto após os terremotos que devastaram o país em junho. Ele viajou para Caracas no último domingo, depois de passar um mês no Brasil. O contrato de quatro anos com a FVF exige residência na capital venezuelana.
“O que me fez ir para a Venezuela… Eu já vinha acompanhando o trabalho de base deles, os enfrentamentos da equipe principal com o Brasil, os jogadores espalhados pelo mundo. Era a ideia de fazer uma renovação, o desafio de colocar na Copa do Mundo uma seleção que nunca esteve lá”, disse Xavier ao ge.
A FVF inicialmente procurou um técnico sul-americano com experiência em Eliminatórias e Copas, mas não encontrou quem aceitasse. A solução foi promover Oswaldo Vizcarrondo, ex-zagueiro da seleção e até então técnico da sub-17. Xavier integra a comissão como auxiliar, junto com o preparador de goleiros Mario Marín e o preparador físico Óscar Ortega (ex-Atlético de Madrid e Uruguai). A federação quer manter a continuidade do projeto “DNA Vinotinto” entre base e profissional.
Críticas ao ciclo do Brasil
Xavier não poupou críticas à forma como a CBF conduziu o ciclo que culminou na eliminação do Brasil na Copa de 2026. “O principal problema todo mundo sabe, o ciclo não foi bom. Não dá para fazer uma boa seleção sem um ciclo organizado, é difícil. Hoje é fundamental ter”, afirmou.
Na avaliação dele, o Brasil pagou o preço por mudanças constantes, desfalques por lesão e a evolução de outras seleções. “A partir de agora o Ancelotti vai ver (os jogadores), vai fazer uma nova lista larga, com até quatro nomes para cada posição, com as ideias dele… Vai formar uma equipe para chegar na próxima Copa. Aí sim a gente pode ter uma esperança maior”, completou.
Integração entre base e profissional
Um dos pontos centrais da crítica de Xavier é a falta de integração entre as categorias de base e a seleção principal no Brasil. “Não é integrado, deveria ser mais. O maior exemplo que eu falo disso, que quando a gente passou (na seleção principal), a gente tinha uma relação muito forte com outros treinadores, Jardine, Amadeu, Micale, Paulo Victor. A Espanha traz esse exemplo.”
Para ele, falta unificação de comando e continuidade. “Falta muito ao futebol brasileiro, de maneira geral, a palavra continuidade. Não damos continuidade aos processos. E isso impacta para os resultados virem. A questão dos clubes cederem jogadores, por exemplo.”
Na Venezuela, a FVF valoriza exatamente essa integração. Vizcarrondo comandava a sub-17, e outros profissionais da base foram promovidos à seleção adulta com o reforço de estrangeiros experientes.
Olho em 2030
Xavier não considera um passo atrás voltar a ser auxiliar após comandar o Santos em 15 jogos em 2025. Ele se define como “segundo treinador” da Venezuela, “com toda a liberdade”. Seu foco é total na preparação para as Eliminatórias Sul-Americanas visando 2030.
“Recém-encerrada a Copa do Mundo de 2026, Cléber Xavier já está com os olhos na próxima edição do torneio”, resume a reportagem do ge. O trabalho de reconstrução da seleção venezuelana começa agora, com a base de jogadores espalhados pelo mundo e a experiência de profissionais que já estiveram em Copas.
Fonte: ge – Globo Esporte (https://ge.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/2026/07/28/cleber-xavier-traca-objetivo-de-levar-a-venezuela-a-proxima-copa-e-critica-ciclo-do-brasil-nao-foi-bom.ghtml)
Fonte
ge - Globo Esporte Publicação original: 2026-07-28T07:01:01+00:00
Mariana Alves
Cobre vôlei, tênis, basquete, lutas, ciclo olímpico e esporte feminino.
