Bélgica 2026: De Bruyne e Courtois lideram a renovação após o fim da “geração de ouro
Com uma nova identidade tática e a experiência de seus craques, a seleção belga busca surpreender no cenário mundial, menos badalada, mas com pragmatismo renovado.


A chamada “geração de ouro” da Bélgica, que por anos representou uma promessa constante no futebol mundial, parece ter chegado ao fim de seu ciclo. Com o adeus de figuras como Hazard e o envelhecimento de outros pilares como Vertonghen e Alderweireld, a equipe perdeu parte de sua força física, intensidade e profundidade de elenco. No entanto, a Bélgica de 2026 surge com uma nova identidade, menos badalada e talvez menos pressionada, mas com potencial para surpreender.
A seleção, sob o comando de Rudi Garcia, parece ter aceitado que não consegue mais controlar jogos no mesmo patamar das grandes potências atuais. Em vez disso, busca uma abordagem mais vertical e direta, confiando em explosões individuais e na capacidade de prosperar em partidas caóticas. Essa nova filosofia, que prioriza a aceleração antes da reflexão e abraça o caos, tornou-se sua principal arma competitiva.
Uma Nova Identidade Tática
A Bélgica de 2026 se caracteriza por um estilo de jogo mais direto, focado em transições rápidas e na capacidade de criar oportunidades através de jogadas individuais. Essa mudança estratégica visa explorar as qualidades dos jogadores atuais, adaptando-se às limitações de controle de jogo em comparação com outras seleções de ponta.
O time busca uma abordagem mais funcional, onde o pragmatismo ganha espaço sobre o encanto estético. Essa adaptação pode ser um trunfo valioso em torneios de mata-mata como a Copa do Mundo, onde a capacidade de superar adversidades e impor o próprio ritmo, mesmo em situações de menor controle, é crucial.
Dados chave
| Aspecto | Detalhes |
|---|---|
| Técnico | Rudi Garcia |
| Jogadores Chave | Kevin De Bruyne, Thibaut Courtois, Jérémy Doku, Romelu Lukaku |
| Nova Identidade | Vertical, direta, dependente de explosões individuais, pragmática |
| Desafios | Dependência de De Bruyne, fragilidades defensivas, sucessão de Lukaku |
De Bruyne: O Maestro Inquestionável
No centro de tudo, Kevin De Bruyne continua a ser a espinha dorsal da seleção belga. O meia, que joga no Napoli, dita o ritmo da equipe e é o principal responsável pela construção ofensiva. Sua visão de jogo, lançamentos diagonais e passes verticais continuam sendo os mecanismos que organizam o ataque belga. Apesar de não dominar fisicamente os jogos como em seu auge, De Bruyne mantém o controle emocional do time, e a velocidade da Bélgica é diretamente influenciada por sua presença em campo.
Contudo, a dependência da equipe em De Bruyne é um sintoma claro da transformação belga. Sem ele, a criatividade e a clareza ofensiva frequentemente diminuem, como evidenciado em jogos das eliminatórias contra Macedônia do Norte, País de Gales e Cazaquistão. Essa dependência criativa destaca a falta de outros jogadores com a mesma capacidade de armação natural na geração atual.
Doku: A Válvula de Escape Ofensiva
Jérémy Doku emergiu como uma peça fundamental nesse novo cenário. O ponta do Manchester City é a válvula de escape ofensiva da equipe, capaz de resolver jogos em situações de um contra um. Doku transforma partidas lentas em perigosas, atraindo marcações, quebrando linhas com seus dribles e gerando o caos defensivo que a Bélgica passou a utilizar estrategicamente.
Apesar de sua capacidade de desequilíbrio, o modelo de jogo que depende de Doku pode se tornar previsível contra seleções defensivamente organizadas. A Bélgica, por vezes, parece depender de lampejos individuais para superar adversários mais compactos.
Lukaku: A Estrutura Ofensiva
Romelu Lukaku permanece uma peça importante, exercendo um impacto estrutural significativo na seleção, especialmente em jogadas de transição vertical e cruzamentos. A equipe ainda joga muito em função de sua presença na área. No entanto, a discussão sobre sua condição física é recorrente, e o país ainda busca um sucessor definitivo para o centroavante.
Courtois: A Muralha Defensiva
Enquanto o ataque belga mantém sua periculosidade, as dúvidas defensivas aumentam. A seleção perdeu agressividade sem bola e o sistema defensivo demonstra fragilidades contra equipes rápidas. Nesse cenário, Thibaut Courtois assume um papel gigantesco. Sua capacidade de mascarar as falhas defensivas da equipe com defesas espetaculares é crucial. A segurança proporcionada pelo goleiro permite que a Bélgica absorva erros e continue competitiva.
A Nova Geração de Meio-Campistas
O meio-campo belga conta com jogadores importantes na reconstrução da equipe. Amadou Onana é fundamental para o equilíbrio físico e a cobertura, liberando De Bruyne para tarefas criativas. Sua força nos duelos e maturidade tática o tornam um dos pilares da nova geração. Tielemans adiciona controle e qualidade de passe, enquanto Charles De Ketelaere oferece versatilidade entre o meio e o ataque. Leandro Trossard, com sua inteligência e movimentação, pode atuar tanto como ponta quanto como falso nove.
Um Time Mais Humano e Imprevisível
A Bélgica de 2026 é menos sofisticada coletivamente, mas mais consciente de suas limitações. Ela deixou de ser um time puramente técnico para se tornar funcional e pragmático. Embora pareça inferior às grandes favoritas, a equipe possui jogadores decisivos, experiência em grandes torneios e é extremamente perigosa em transição ofensiva. A capacidade de De Bruyne em encontrar espaços, a aceleração de Doku e as defesas de Courtois garantem que a Bélgica possa sobreviver e até mesmo eliminar grandes adversários.
A ausência da obrigação histórica de “finalmente vencer” pode ser a maior vantagem da Bélgica. Chegando menos badalada e mais humana, a seleção se apresenta mais imperfeita e imprevisível, características que frequentemente tornam equipes perigosas em competições de alto nível.
Fuente: ge – Globo Esporte – https://ge.globo.com/pe/blogs/cabral-neto/post/2026/06/07/belgica-2026-de-bruyne-e-courtois-lideram-renovacao-apos-fim-da-geracao-de-ouro.ghtml
Fonte
ge - Globo Esporte Publicação original: 2026-06-07T07:01:14+00:00
Mariana Alves
Cobre vôlei, tênis, basquete, lutas, ciclo olímpico e esporte feminino.
