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Bélgica 2026: De Bruyne e Courtois lideram a renovação após o fim da “geração de ouro

Com uma nova identidade tática e a experiência de seus craques, a seleção belga busca surpreender no cenário mundial, menos badalada, mas com pragmatismo renovado.

Notícias Publicado 10 junho 2026 5 min de leitura Mariana Alves
Jogadores da seleção belga de futebol em treinamento
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A chamada “geração de ouro” da Bélgica, que por anos representou uma promessa constante no futebol mundial, parece ter chegado ao fim de seu ciclo. Com o adeus de figuras como Hazard e o envelhecimento de outros pilares como Vertonghen e Alderweireld, a equipe perdeu parte de sua força física, intensidade e profundidade de elenco. No entanto, a Bélgica de 2026 surge com uma nova identidade, menos badalada e talvez menos pressionada, mas com potencial para surpreender.

A seleção, sob o comando de Rudi Garcia, parece ter aceitado que não consegue mais controlar jogos no mesmo patamar das grandes potências atuais. Em vez disso, busca uma abordagem mais vertical e direta, confiando em explosões individuais e na capacidade de prosperar em partidas caóticas. Essa nova filosofia, que prioriza a aceleração antes da reflexão e abraça o caos, tornou-se sua principal arma competitiva.

Uma Nova Identidade Tática

A Bélgica de 2026 se caracteriza por um estilo de jogo mais direto, focado em transições rápidas e na capacidade de criar oportunidades através de jogadas individuais. Essa mudança estratégica visa explorar as qualidades dos jogadores atuais, adaptando-se às limitações de controle de jogo em comparação com outras seleções de ponta.

O time busca uma abordagem mais funcional, onde o pragmatismo ganha espaço sobre o encanto estético. Essa adaptação pode ser um trunfo valioso em torneios de mata-mata como a Copa do Mundo, onde a capacidade de superar adversidades e impor o próprio ritmo, mesmo em situações de menor controle, é crucial.

Dados chave

Aspecto Detalhes
Técnico Rudi Garcia
Jogadores Chave Kevin De Bruyne, Thibaut Courtois, Jérémy Doku, Romelu Lukaku
Nova Identidade Vertical, direta, dependente de explosões individuais, pragmática
Desafios Dependência de De Bruyne, fragilidades defensivas, sucessão de Lukaku

De Bruyne: O Maestro Inquestionável

No centro de tudo, Kevin De Bruyne continua a ser a espinha dorsal da seleção belga. O meia, que joga no Napoli, dita o ritmo da equipe e é o principal responsável pela construção ofensiva. Sua visão de jogo, lançamentos diagonais e passes verticais continuam sendo os mecanismos que organizam o ataque belga. Apesar de não dominar fisicamente os jogos como em seu auge, De Bruyne mantém o controle emocional do time, e a velocidade da Bélgica é diretamente influenciada por sua presença em campo.

Contudo, a dependência da equipe em De Bruyne é um sintoma claro da transformação belga. Sem ele, a criatividade e a clareza ofensiva frequentemente diminuem, como evidenciado em jogos das eliminatórias contra Macedônia do Norte, País de Gales e Cazaquistão. Essa dependência criativa destaca a falta de outros jogadores com a mesma capacidade de armação natural na geração atual.

Doku: A Válvula de Escape Ofensiva

Jérémy Doku emergiu como uma peça fundamental nesse novo cenário. O ponta do Manchester City é a válvula de escape ofensiva da equipe, capaz de resolver jogos em situações de um contra um. Doku transforma partidas lentas em perigosas, atraindo marcações, quebrando linhas com seus dribles e gerando o caos defensivo que a Bélgica passou a utilizar estrategicamente.

Apesar de sua capacidade de desequilíbrio, o modelo de jogo que depende de Doku pode se tornar previsível contra seleções defensivamente organizadas. A Bélgica, por vezes, parece depender de lampejos individuais para superar adversários mais compactos.

Lukaku: A Estrutura Ofensiva

Romelu Lukaku permanece uma peça importante, exercendo um impacto estrutural significativo na seleção, especialmente em jogadas de transição vertical e cruzamentos. A equipe ainda joga muito em função de sua presença na área. No entanto, a discussão sobre sua condição física é recorrente, e o país ainda busca um sucessor definitivo para o centroavante.

Courtois: A Muralha Defensiva

Enquanto o ataque belga mantém sua periculosidade, as dúvidas defensivas aumentam. A seleção perdeu agressividade sem bola e o sistema defensivo demonstra fragilidades contra equipes rápidas. Nesse cenário, Thibaut Courtois assume um papel gigantesco. Sua capacidade de mascarar as falhas defensivas da equipe com defesas espetaculares é crucial. A segurança proporcionada pelo goleiro permite que a Bélgica absorva erros e continue competitiva.

A Nova Geração de Meio-Campistas

O meio-campo belga conta com jogadores importantes na reconstrução da equipe. Amadou Onana é fundamental para o equilíbrio físico e a cobertura, liberando De Bruyne para tarefas criativas. Sua força nos duelos e maturidade tática o tornam um dos pilares da nova geração. Tielemans adiciona controle e qualidade de passe, enquanto Charles De Ketelaere oferece versatilidade entre o meio e o ataque. Leandro Trossard, com sua inteligência e movimentação, pode atuar tanto como ponta quanto como falso nove.

Um Time Mais Humano e Imprevisível

A Bélgica de 2026 é menos sofisticada coletivamente, mas mais consciente de suas limitações. Ela deixou de ser um time puramente técnico para se tornar funcional e pragmático. Embora pareça inferior às grandes favoritas, a equipe possui jogadores decisivos, experiência em grandes torneios e é extremamente perigosa em transição ofensiva. A capacidade de De Bruyne em encontrar espaços, a aceleração de Doku e as defesas de Courtois garantem que a Bélgica possa sobreviver e até mesmo eliminar grandes adversários.

A ausência da obrigação histórica de “finalmente vencer” pode ser a maior vantagem da Bélgica. Chegando menos badalada e mais humana, a seleção se apresenta mais imperfeita e imprevisível, características que frequentemente tornam equipes perigosas em competições de alto nível.

Fuente: ge – Globo Esporte – https://ge.globo.com/pe/blogs/cabral-neto/post/2026/06/07/belgica-2026-de-bruyne-e-courtois-lideram-renovacao-apos-fim-da-geracao-de-ouro.ghtml

Fonte

ge - Globo Esporte Publicação original: 2026-06-07T07:01:14+00:00